Um avião vai, outro volta, outro aterrissa ou taxia na pista, outro voa. Já admiro as rolinhas, pardais e maritacas que passeiam sobre meu apartamento. Como conseguem voar? O que dizer daquele troço enorme que pesa 251 toneladas e que se sustenta no ar? Dentro dele, eu e minha bagagem.
Estou mais uma vez tomando o rumo de onde parte da minha família está, Alemanha. Dessa vez, pra cair dentro do universo da música eletrônica. O Claxy, duo de música eletrônica do meu filho e da minha nora — músicas autorais com letras em inglês e português — pega a estrada e os céus também para vários shows. Vou pra colocar em prática meus anos de trabalho com produção e planejamento. Se eu sumir por um tempo, é por causa das obrigações de viagem. Mas sempre volto.
Mesmo com tanta coisa pra fazer, pra dar atenção, pra checar, viajar sempre me traz muita vontade de escrever. Os olhos ficam mais abertos. A alma se alegra. O mundo fica mais vasto. São costumes, cores, cheiros, comidas, gente diferente a cada parada, a cada estrada, a cada pousada ou Airbnb. Tudo se move na estranheza de um novo olhar ou de uma nova sensação.
Tudo pode servir para uma crônica ou para um conto.
Quanto aos aviões, Santos Dumont era gênio mesmo. O avião é mesmo incompreensível, ao menos, pra mim.