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Se há solução…

“Não consegui ir à academia hoje porque não despertei a tempo. Problema do celular que estava sem bateria”.

“Não pude fazer a dieta da nutricionista porque não havia legumes em casa. Problema da chuva dessa manhã”.

“Não fui ver meus pais nesse domingo. Problema foi do Uber que estava com a tarifa mais alta”.

Na maioria das vezes, usamos a palavra problema para assinalar tudo aquilo que nos incomoda ou nos paralisa. A palavra problema se tornou um dos problemas da contemporaneidade. Não posso dizer que não existam problemas que devam ser de fato assim designados. Sim, eles existem. Guerras, mortes, doenças, acidentes, crimes, tragédias, tempestades estranhas que diariamente insistem em nos espantar. Nos fazem sofrer e chorar.

A questão é que de problema em problema, vamos levando a nossa rotina. Quando nos damos conta, os anos passaram; não conseguimos manter a atividade física em dia; não fizemos a dieta recomendada; deixamos de ver nossos pais por semanas, por meses.

Somos preguiçosos. Somos lenientes.

A atualidade é tão repleta de facilidades que quando surge uma falta ou uma dificuldade tendemos a reconhecê-la como um problema. Não é. É só uma questão a ser resolvida.

Carregue o celular antes de dormir. Compre os legumes congelados. Vá de ônibus ou metrô visitar seus pais. O tempo não espera por nós. Ele tem seu próprio ritmo. Não espera por ninguém.

“Se há solução, não há problema”, é o que se diz por aí. Atribuem a frase a Epicteto, a Aristóteles, ao Dalai Lama. Não importa. Quem disse, sabia das coisas.