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Cobrinha azul

Cai, senta, levanta, chora, se arrasta.

Num dia frio de um outono alemão, minha neta saiu do sofá sozinha. Foi se arrastando como uma cobrinha azul – a cor do macacão. Acho que escorregou. Chegou até a cozinha, que fica ao lado, em silêncio. Levei um susto com aquele serzinho tentando se pendurar na minha perna, a boca de dois dentes aberta.

Bebês têm força natural e primária da superação. São movidos por interpretar as dificuldades, atuar conforme a sua capacidade e mudar. São um ensinamento. Um dia não sentam. Daqui a algum tempinho conseguem se sustentar mesmo que ainda cambaleando. Daqui a pouco, se sustentam, balançam, caem de novo. Quando menos se espera, já estão engatinhando, andando, fugindo.

Nós mudamos muito ao longo da vida. Mudamos de emprego, de escola, de namorado, de marido, de casa, de país. Mudamos muito de roupa, de humor. Em geral, não nos damos muito conta dessas mudanças. Não as valorizamos, os bebês sim.