Chegou. E, se não chegou, está chegando um dos momentos mais propícios para um bom teste de relacionamento. Natal, amigo oculto, festa de empresa, almoço em família, churrasco com vizinhos: todos são um gatilho que pode detonar uma bomba esquecida em algum lugar do passado.
Algumas pessoas preferem ficar longe desses campos minados. Se escondem em trincheiras ou se transformam em ostras perdidas no mar das festas de fim de ano. Recusar os convites de familiares, amigos ou colegas de trabalho é complexo. No entanto, é possível e evita mais transtornos. Como dizia um querido amigo: “Não quero que minha intolerância com os outros seja a principal convidada da festa”.
“Meu irmão vai na ceia, mãe?” “Claro, minha filha”. Então, não vou nem que me paguem com um bilhete ganho da Megasena. Não suporto nem ouvir a voz dele”. Meus ouvidos compridos andam presenciando muitas histórias. “Gente, vamos tirar os nomes para o amigo oculto”. “O nome do gerente de suprimentos tá?” “Claro, todos os funcionários devem participar”. “Ah, ok: menos eu. Não tenho estômago pra aquele mal encarado, antipático. Pode tirar o meu nome. Não participo de jeito nenhum. Ou eu, ou ele”. Acho que seja muito, mas muito difícil mesmo, você não ter ouvido frases como essas.
Sou daquelas que acredita que comemorações em família – profissional, de amigos ou de sangue – são ocasiões onde os ressentimentos mais prevalecem, principalmente, nas de Natal. O ódio e o rancor perdem a vergonha, deixam de habitar o fundo da alma e pulam pra fora do corpo em reações e palavras ríspidas. Deixam um rastro de mágoa e desgosto. Podem desarrumar a linda decoração da mesa em dourado e vermelho; estragar o mais delicioso prato de rabanadas; salgar a travessa de bacalhau; estragar o tender assado; solar o bolo de nozes; acabar com a festa.
No entanto, também, acredito que, na maioria dos casos, é nessas festas que podemos colocar à prova a maturidade e a inteligência emocional. É uma oportunidade para saber encarar opiniões divergentes e as personalidades mais difíceis e superar as mágoas. E, quem sabe, promover o entendimento mútuo e, principalmente, exercer o perdão. Todos nós temos nossos problemas pessoais.
Não vou nem comentar sobre as passas no arroz ou na farofa. Grande tema de discórdia. Se bem que é muito mais fácil resolver: é só não comer. No mais, Feliz Natal e feliz festas de fim de ano. E, que a resiliência, o amor e o entendimento mútuo sejam as os convidados mais brilhantes.