Sei, eu sei, que como diz Adriana Calcanhoto, “cariocas não gostam de dias nublados”. Sou carioca e gosto.

Acordo cedo pra treinar. Quando está nublado, me assusto. Acho que ainda tenho que dormir, que acordei antes do horário de sempre. Lá fora, ainda está quase escuro e os passarinhos não piaram. O relógio é que me avisa que é hora de levantar. Olho pela janela e fico onde estou. Feliz.

Dias assim não chamam pra nada. O sol não bate na vidraça dizendo vamos, vamos: tem praia, rua cheia, o mundo está esperando. Posso ficar sentada com o café já frio entre as mãos, olhando o asfalto úmido, os guarda-chuvas que tentam se defender uns dos outros. Posso não fazer nada que se pareça com obrigação. Posso me deter na minha calma.

Da janela, vejo menos gente nas ruas. O silêncio da cidade. É quando consigo olhar para o lado e para dentro, pra aquilo que o sol do Rio, de tão brilhante, possa esconder de mim.

Mas, como sempre digo: vamos em frente com chuva ou sem chuva.

Foto: Eduardo Alonso