Fiquei esperando que a gargalhada ecoasse pelos ares, que os dentes brancos ficassem à mostra no rosto dela, do namorado e do outro amigo. E que alguém corresse para o banheiro com vontade de fazer xixi. Nada aconteceu.
Mais uma vez caí na real de que não sei contar piadas. Quando arrisco, me enrolo no ritmo das frases, dos personagens. Não consigo provocar risos nem chamar a atenção por causa de uma história que poderia até ser engraçada, mas vindo de mim, é só mais uma história boba.
Sempre quis ser divertida. Daquelas pessoas que têm uma forma peculiar de ver o mundo e espalham essa graça por onde passam. Nem tento mais. Admiro quem nasce com essa capacidade de fazer outra pessoa rir – mesmo nos momentos mais difíceis-, de quem faz chacota de si, de quem não se leva a sério.
Quando a depressão me visitava, era isso que mais me faltava: a leveza, o riso. O dia a dia já é cheio de obstáculos. Agir despretensiosamente pode ser uma chave para superá-los. Cair e demorar a se levantar – porque as risadas nos fazem perder o fôlego- é um bálsamo que eu não conseguia encontrar.
Os momentos de depressão se foram. O relógio da vida volta a rodar sem solavancos. Agora, ao abrir os olhos pela manhã: “Tô viva. Obrigada, dia, me dê mais chance de risos.”